Carta da Equipe de Gestão Set/18

São Paulo, 02 de outubro de 2018.

Caros cotistas, investidores e parceiros,

A importância dos ciclos e dos padrões

Setembro foi um mês marcado pela alta volatilidade dos mercados. O aumento da tensão comercial entre China e EUA, a proximidade das eleições no Brasil e o aumento de 15 pontos base dos juros reais norte-americanos de 10 anos foram, em nossa visão, os principais fatores para as oscilações do mercado.

Entramos agora no último trimestre do ano e é inevitável comentar que as decisões das urnas nos dias 07 e 28 de outubro poderão ditar os rumos dos mercados domésticos, ainda que sujeitos a volatilidade do cenário externo. Fizemos alguns comentários sobre o processo eleitoral em nossa carta de julho, que podem ser valiosos lembretes para as próximas semanas.

Um ponto frequentemente debatido em nossos comitês de investimento diz respeito ao significado desta eleição ou ao momento que a sociedade brasileira está passando. Na Dahlia, estamos constantemente tentando identificar ciclos, correlações e padrões, que expliquem e até antecipem os movimentos de mercado.

Ciclos econômicos, por exemplo, nos ajudam a identificar padrões e nos guiam sobre como posicionar nosso portfolio nos diferentes momentos. Dada nossa experiência, temos mais conforto quando conseguimos nos contextualizar corretamente em cada ponto desses ciclos.

A Quarta Virada

Nesse debate, tentamos identificar também um ciclo social. Um paralelo interessante que encontramos foi com os estudos de William Strauss e Neil Howe, descritos no livro The Fourth Turning (A Quarta Virada). Os autores norte-americanos, que cunharam o termo millenial em 1991, são estudiosos de mudanças geracionais e sociais nos EUA.

Embora bastante controverso, um dos principais pontos do livro é que eventos históricos seguem padrões sociais cíclicos. Os grandes ciclos (saeculum) são divididos em quatro Viradas de 20 a 22 anos. Cada uma dessas Viradas possui características específicas e se repete como as quatro estações do ano. Cada saeculum então teria a duração de uma vida humana “extendida”, normalmente entre 80 e 100 anos.

The Fourth Turning foi escrito em 1997 e, entre outras coisas, ganhou notoriedade por ter supostamente antecipado a crise de 2008, a eleição do atual presidente norte-americano e as suas políticas: “A próxima Quarta Virada virá logo após o novo milênio, no meio da década de 2000. Nas redondezas do ano de 2005, uma faísca repentina precipitará um clima de crise. A confiança política e econômica implodirá.” “Os EUA se tornarão mais isolacionistas que hoje. Estratégias antigas serão substituídas por estratégias da nova era de crise (intimidação, confronto frontal e vitória total).”

O diagrama abaixo descreve as quatro Viradas de Strauss e Howe:

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A Virada Brasileira

No contexto brasileiro, acreditamos ser mais difícil identificar de forma clara cada uma das Viradas, pelas grandes rupturas sociais e políticas vivenciadas neste saeculum republicano. A história brasileira parece seguir mais um processo de longo prazo do que ciclos que se repetem.

Os livros didáticos separam a história brasileira republicana em cinco fases distintas:

- 1889-1930 – Primeira República

- 1930-1945 – Era Vargas

- 1946-1964 – República Liberal Populista

- 1964-1985 – Regime Militar

- 1985-atual – Nova República

Em nossa visão, consideramos muito relevante estudar os eventos que levaram ao final de cada um desses períodos. Encontramos três principais pontos em comum: 1) Crise no exterior, 2) Demanda social por mudança e 3) Disputas internas no grupo que ocupa o poder, principalmente nos períodos de transição.

Resolução adiante?

Por outro lado, podemos forçar o argumento de que estamos nos aproximando de nossa Quarta Virada (Resolução). A descrença nas instituições, o protelamento de decisões públicas importantes e o surgimento de movimentos que defendem causas específicas são características da Terceira Virada (Desvendar).

Assim como a Segunda Virada transforma nosso mundo interno (valores, cultura e religião), a Quarta Virada transforma nosso mundo externo (político, econômico e institucional). A Resolução começa com um catalisador, que traz uma reviravolta rápida de humor. A sociedade se regenera, revigorando a vida cívica. Isso leva a uma triunfante conclusão que resolve as principais questões públicas e estabelece uma nova ordem.

Não sabemos se esta eleição presidencial será esse catalisador. Independentemente dos resultados das urnas, o novo governo deveria se conscientizar da necessidade de reformas estruturais e institucionais. Abertamente (como nos grupos de Whatsapp ou em vídeos no YouTube) ou discretamente, a população se manifesta contra as instituições, contra a corrupção e contra a classe política.

Historicamente, não tivemos muitos casos de sucesso de presidentes que conseguiram trabalhar a tríade (talvez impossível) de reformas institucionais, demandas sociais e sucessão política. Uma ponta sempre fica pendente. Resta-nos saber qual será a bola da vez.

 

E como isso impacta nossas decisões?

A agenda regulatória do governo tem também um impacto direto na bolsa. Cerca de 66% do Ibovespa e mais de 80% do seu lucro vêm de setores que são regulamentados por normas que dependem de decisões políticas, como financeiro, energia elétrica, concessões ferroviárias e rodoviárias, mineração e petróleo.

A tabela ao lado mostra qual o peso dos setores na composição percentual e do lucro por ação do Ibovespa: 

Acreditamos, portanto, que a definição de uma agenda microeconômica positiva tem um peso relevante na performance das ações. Monitoraremos de perto as propostas dos candidatos (e do novo presidente) para os diferentes setores, a fim de rebalancear nosso portfolio.

E o futuro?

Os resultados das eleições deverão influenciar os preços dos ativos, apesar de continuarmos acreditando na preponderância dos fatores externos sobre os domésticos. Juros reais norte-americanos continuam a subir e a tensão comercial entre China e EUA pode piorar. Seguimos com uma posição comprada próximo ao neutro, incluindo nossa exposição ao México, principalmente por acreditar que a bolsa é um dos melhores ativos líquidos no Brasil.

Obrigado pela confiança,

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