Carta da Equipe de Gestão Jul/20

São Paulo, 04 de agosto de 2020.

Caros cotistas, investidores e parceiros,

Uma viagem no tempo

Vários filmes e livros já idealizaram como seria nossa vida no futuro. Alguns deles fizeram um excelente trabalho prevendo como seriam nossos hábitos cotidianos, nossas relações sociais ou mesmo como a tecnologia impactaria a nossa vida.

A trilogia De Volta para o Futuro é uma dessas obras. No segundo filme da série, o preferido da Dahlia, o jovem Marty McFly e o Dr. Emmett Brown partem para o futuro para salvar o filho de McFly, Marty Jr. O filme é de 1989, mas o futuro se passa em 2015.

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Investir também é um ato de futurologia. Principalmente porque os preços dos ativos refletem expectativas futuras do que está por vir e não o que já se passou. Imaginar, ou tentar antecipar, o que vai acontecer com uma empresa, com o crescimento econômico de um país ou o próximo movimento de juros de um banco central nos ajudam a compor melhor os nossos portfolios.

Esse é até um dos motivos porque preferimos empresas com bons gestores e bons ativos, ou países com boas geografias e boas demografias. Antecipar o futuro é um exercício pouco trivial. Acreditar que pessoas e empresas com bons resultados passados continuarão a entregá-los no futuro é tarefa bem mais fácil.

Porém, algumas vezes não precisamos ser tão imaginativos assim. Acreditamos que muitas vezes os ciclos se repetem, como os loops temporais de O Feitiço do Tempo. Nessas horas, é mais fácil olhar para o passado para entender o que pode acontecer no futuro.

Uma viagem para 1998

Se pudéssemos pegar uma carona no DeLorean com McFly e Doc Brown e voltar para o ano de 1998 encontraríamos um mundo bastante turbulento. Logo após Hong Kong ser devolvida pelos britânicos aos chineses em 1997, começa a crise na Ásia. A Tailândia desvaloriza sua moeda e o mundo emergente vê todos os tigres asiáticos tremerem.

A volatilidade que se seguiu continuou a fazer vítimas nos meses seguintes. A Rússia desvalorizou o rublo em agosto de 1998. O fundo americano LTCM (Long Term Capital Management) quebrou, perdendo US$4,6 bilhões.

Porém, apesar da volatilidade nos mercados financeiros, principalmente internacionais, a economia americana estava indo bem. Crescia a um ritmo próximo de 5% ao ano, tendo sofrido quase nenhum impacto das crises nos países emergentes.

Mas o Fed (banco central americano) resolveu agir mesmo assim. Em setembro de 1998, Alan Greenspan, então presidente do Fed, declarou: “Não é crível assumir que os EUA podem permanecer um oásis de prosperidade sem ser afetado por um mundo que está passando por um stress cada vez maior”. Com essas palavras, o Fed começou um processo de corte de juros. Era o começo do fim da crise.

As empresas americanas, que estavam conseguindo passar pela turbulência razoavelmente bem, se beneficiaram do estímulo. Essa combinação se mostrou particularmente positiva em 1999 para as empresas de tecnologia, melhor representadas pelo índice Nasdaq.

Memórias de um ano novo

Voltamos ao DeLorean. E desta vez vamos para o início de 2016. A primeira semana do ano foi a pior primeira semana das bolsas em mais de 20 anos. As bolsas do mundo inteiro caíram, puxadas por temores de uma maior desaceleração da economia chinesa. O famoso pouso suave (soft landing) que o governo de Xi Jinping estava tentando implementar gerava preocupações com o resto do mundo. Apesar de ser uma economia planejada, o tamanho do endividamento doméstico assustava os observadores estrangeiros. A bolha de crédito poderia estourar a qualquer instante. A China perdia reservas e sua moeda se desvalorizava.

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Assim como hoje, a China vivia em um processo longo e constante de reformas estruturantes, que são boas no longo prazo. Para suavizar os efeitos de curto prazo, o governo recorre a estímulos econômicos. Com a intensa volatilidade no começo do ano, em uma reunião do G20, foi decidido uma retomada dos estímulos pelo governo, que ficou conhecido como Shanghai Accord. Era o começo do fim da crise.

Os preços de commodities começaram a subir, indicando que os estímulos chegaram na ponta final e surtiam efeito. E os mercados reagiram rapidamente. De fevereiro de 2016 até o final de 2017, vimos um dos maiores movimentos de alta nos emergentes nos últimos 20 anos.

“Pense, McFly, pense!”

Chegamos em 4016. Não, não vamos pegar o DeLorean e partir para 4016. Simplesmente, acreditamos que vivemos uma combinação dos anos de 1999 e 2017.

Estamos revivendo 1999. Hoje é muito claro o quanto a tecnologia está nos ajudando a enfrentar a pandemia. Seja pelas reuniões pelo Zoom, a proximidade com os amigos via redes sociais ou pelos pedidos pelas plataformas de e-commerce, a tecnologia é cada vez mais indispensável em nossas vidas.

A reação dos governos ao redor do mundo também tem sido muito relevante. Alguns economistas têm argumentando que essa resposta tem sido desproporcional. Qual o problema de um estímulo maior que o necessário? A criação de uma bolha de ativos. No final de março, argumentamos que essa reação dos governos era um dos motivos que acreditávamos que a crise nos mercados estava terminando.

Estamos revivendo 2017. Para a China, 2018 e 2019 foram anos de acomodação. O governo chinês já no final de 2019 voltou a estimular a economia. Mas por que isso? Porque 2021 marca o aniversário de 100 anos do Partido Comunista. A redução da pobreza através do crescimento econômico é uma das maiores conquistas do povo chinês nos últimos 50 anos. É provável que o governo queira que a economia esteja crescendo em um ritmo mais alto neste e no próximo ano.

Por conta da pandemia, a China desacelerou ainda mais. Continuaremos então a ver ainda mais estímulos. Não sabemos exatamente a magnitude, mas podem ser suficientes para levar a mais uma onda de alta de preços de commodities e das bolsas dos países emergentes.

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O passado

Julho foi mais um mês de alta para os ativos de risco. O Ibovespa subiu 8,3%, seguindo a bolsa americana (5,5%) e os emergentes (8,3%). Dados econômicos melhores que o esperado, taxas de juros ainda baixas, expectativas de uma vacina em breve e o início de uma temporada de resultados melhores que o esperado no Brasil sustentaram a alta dos mercados.

O futuro

Seguimos otimistas com os ativos de risco. Apesar das incertezas com a recuperação da economia global, a quantidade de estímulos dos governos continua a surpreender. Os avanços da medicina e tecnologia sugerem que uma vacina contra o corona vírus já possa estar disponível até o final do ano. Continuamos comprados em bolsas, NTNBs, dólar e ouro.

O que esperamos de 4016? Difícil dizer. Só esperamos ter um mundo com menos conflitos políticos, com igualdade de oportunidade para as pessoas e um cuidado maior com o meio ambiente. Seja na Terra ou em qualquer outro planeta. E que existam mais empresas listadas na bolsa brasileira.

Desde o início em maio/18, o Dahlia Total Return teve um retorno acumulado de 67,6%. Desde seu início em dezembro/19, o Dahlia Global Allocation teve um retorno acumulado de 24,5%.

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Créditos Finais:

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