Carta da Equipe de Gestão Dez/19

São Paulo, 07 de janeiro de 2020.

Caros cotistas, investidores e parceiros,

Uma outra perspectiva

Nossos vieses são inconscientes, aprendidos ao longo do tempo, e influenciam nosso comportamento, sem mesmo nos darmos conta. O Mundo Virado de Cabeça para Baixo (“The World Turned Upside Down”) é uma escultura do artista britânico Mark Wallinger. A obra foi colocada dentro do complexo da London School of Economics, alma mater de alguns sócios da Dahlia.

O globo de Wallinger exibe uma perspectiva diferente do mundo. Ao apoiar a base no polo Norte, passamos a olhar o mapa-múndi sob um ângulo diferente. Chama atenção por alguns motivos. Primeiro, ele mostra a real dimensão da África e da América Latina, que surpreendem os habitantes de países anglo-saxões. Segundo os oceanos são imensos! Sobre a sua obra, o artista comentou: “familiar, estranho e sujeito a mudanças”.

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De pernas para o ar

Ao longo dos últimos meses, alguns dados sugerem uma recuperação de atividade mais forte da economia global e uma sustentação dos preços de ativos de risco. Em outras palavras, apesar dos principais índices de ações do mundo estarem próximos de suas máximas históricas, 2020 ainda poderá ser bom para os mercados.

Um dos pontos mais relevantes é a postura dos principais bancos centrais do mundo. A partir de 2018, reduziram significativamente a recompra de ativos. Isso levou a uma grande queda na bolsa americana no final de 2018 (massacre da noite de Natal) e a uma mudança completa do Fed (banco central americano) para uma postura de afrouxamento ao longo do primeiro semestre de 2019.

Conforme o gráfico ao lado mostra, a boa notícia é que a queda das recompras já foi revertida em 2019, podendo chegar próximo a US$1 trilhão no final de 2020. Por mais curioso que seja, as recompras em si têm um impacto maior no mercado do que os próprios anúncios dos bancos centrais. Embora uma parte disso já possa ter sido antecipada pelo mercado, o esperado aumento no volume de recompras em 2020 torna o gráfico abaixo razoavelmente preditivo.

Mas e a economia? Estamos particularmente animados com alguns indicadores antecedentes, que apontam para uma recuperação das duas principais economias mundiais.

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Com relação aos EUA, parece já ser notícia velha que não haverá uma recessão, salvo um grande choque externo em 2020. Além disso, a eleição presidencial em 03/nov reforçará a pauta econômica no governo Trump. A combinação de um mercado consumidor forte com uma recuperação do mercado imobiliário poderá levar a um aumento dos investimentos das empresas, que pouco tem contribuído para o crescimento dos últimos anos.

Na China, também observamos indicadores que sugerem uma melhora da economia nos próximos trimestres. Os recentes cortes de juros e dos depósitos compulsórios historicamente são indicadores antecedentes de aceleração da economia. Além disso, uma flexibilização na concessão de crédito para infraestrutura deverá ter impacto na demanda em meados de 2020. O estoque de casas em cidades menores, onde vive a maior parte da população chinesa, está no menor nível nos últimos dez anos. 

Em recentes conversas com empresários e economistas chineses, a guerra comercial com os EUA têm impactado negativamente a confiança do setor privado. Uma solução, mesmo que de curto prazo, pode ajudar a aumentar a confiança doméstica, impulsionando a economia.

Nas nossas várias visitas ao país, um grande aprendizado foi que um dos maiores receios do governo é a tensão social. E seu melhor remédio é crescimento econômico. Estamos às vésperas da celebração de 100 anos do Partido Comunista (2021) e da terceira recondução de Xi Jinping como secretário geral do partido (2022). Acelerar a economia e evitar qualquer ruído podem ser prioridades para esses próximos anos.

E o dólar? A recuperação econômica pode vir também de outras regiões. Uma política fiscal expansionista no Japão tenta novamente acelerar a economia. A nova presidente do Banco Central Europeu Christine Lagard segue comprometida com as políticas de seu antecessor. O número de bancos centrais cortando juros está próximo da máxima histórica. Um crescimento global coordenado pode levar a um dólar mais fraco nos próximos trimestres. Além disso, um aumento significativo da liquidez e das reservas dos bancos americanos historicamente enfraquece a moeda, que poderá acontecer ao longo do ano.

Nosso mundo de pernas para o ar é assim: bancos centrais seguem recomprando ativos, as economias globais, principalmente a chinesa, se recuperam e o dólar fica ligeiramente mais fraco no mundo. É uma receita perfeita para os ativos de risco no Brasil continuarem a performar bem, mas com uma composição diferente.

Ações cíclicas globais (como mineração, siderurgia e petróleo) se beneficiam desse ambiente de mercado. Como os oceanos no globo de Wallinger, quando invertemos nossa ótica do mundo, percebemos o quanto essas ações estão descontadas e com alto potencial de pagamento de dividendos.

The most unloved bull market

Apesar da performance do mercado nos últimos anos, não sentimos os investidores, de uma forma geral, animados. O fato é que, assim como no Brasil, os investidores americanos não estavam muito comprados e não pegaram um pedaço importante da alta.

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O gráfico ao lado mostra o desempenho do S&P500, índice de ações da bolsa americana, e um indicador de confiança do investidor, medido pela State Street, uma das maiores gestoras globais de recursos. Este indicador mede o quanto os portfolios dos investidores estão posicionados em ativos de risco.

O passado

O mês de dezembro foi forte para os mercados, com a expectativa de uma negociação entre China e EUA e uma melhora nos indicadores de atividade econômica no Brasil. A bolsa foi o grande destaque do mês, enquanto o dólar e os juros tiveram leves quedas.

E o futuro?

Nosso cenário para 2020 continua com bolsa em alta e juros em queda. E mais importante que isso, desejamos um incrível ano para todos os nossos cotistas e leitores.

Desde o início em maio/18, o retorno acumulado do Dahlia Total Return foi de 55,6%, equivalente a 563% do CDI e 5,0% acima do Ibovespa, mas com um risco 52% inferior.

Nosso fundo Dahlia Institucional FIA, focado em ações no Brasil, teve um retorno acumulado de 31,2% desde o início em junho/19, sendo 7,6% acima do IBrX 100.

Obrigado pela confiança,

Dahlia Capital

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Fotos: Istockphoto

Gráficos: Citibank, State Street e Dahlia Capital