Carta da Equipe de Gestão Abr/19

São Paulo, 02 de maio de 2019.

Caros cotistas, investidores e parceiros,

Sell in May…

No mês de abril, o fundo Dahlia Total Return FIC FIM teve um retorno de +0,78%, acumulando +11,0% no ano. Desde o início em maio/18, o retorno acumulado do fundo foi de 26,7%, equivalente a 461% do CDI e a 105% do Ibovespa (líquido de taxas), mas com um risco 52% inferior.

Nosso fundo de previdência, o Dahlia 70 Advisory XP Seguros Previdência FIC já está disponível para aplicação através da plataforma da XP. Por favor, entrem em contato com a nossa equipe para mais informações.

Em abril, observamos uma certa acomodação dos preços de ativos, com um fluxo de notícias mais moderado sobre as principais preocupações do mercado, como disputa comercial entre EUA e China, crescimento global e o Brexit.

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No lado doméstico, conforme esperado, o processo de tramitação da reforma da previdência continuou gerando ruído, apesar da aprovação na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados. Acreditamos na aprovação da reforma da previdência, apesar de ser difícil estimar seu timing (atraso) e a sua potencial diluição.

​Maio será o 12º mês do fundo Dahlia Total Return. Apesar de estarmos animados com a data, temos memórias ruins dos meses de maio. Um dos ditados mais conhecidos do mercado é: “Sell in May and go away” (“Venda em maio e vá embora”).

Mas, será que faz sentido? O gráfico a seguir mostra a média de retornos do Ibovespa para cada mês do ano, desde 1994.

Podemos claramente observar que maio se destaca no lado negativo. Desde 2010, o Ibovespa caiu em todos os meses de maio.

Por que será que isso acontece? Maio antecipa o verão no hemisfério norte e, no passado, os operadores de bolsa que não podiam (ou não queriam) acompanhar os mercados durante suas férias vendiam suas posições. Isso gerava uma pressão vendedora, levando a uma queda de preços das ações.

​Para o S&P500, índice de ações da bolsa americana, este “fenômeno” teve efeito apenas nas décadas de 30 e 40. Porém, é curioso notar essa sazonalidade forte para nosso mercado.

Uma de nossas teorias para o pior desempenho da bolsa no período é por conta de uma sazonalidade negativa para as expectativas dos economistas. O gráfico a seguir mostra a média histórica mensal de expectativa de crescimento de PIB, segundo a pesquisa Focus do Banco Central. Maio é provavelmente o mês que os analistas começam a reagir negativamente às revisões para baixo das expectativas de crescimento. Nas cartas da Dahlia, já falamos sobre as revisões negativas de expectativas e os impactos em preços. É muito interessante notar que, historicamente, praticamente toda revisão negativa de PIB acontece entre os meses de maio e agosto.

Mas isso, por si só, não deveria levar a uma correção dos preços tão forte. Um outro dado que nos chama atenção é a sazonalidade dos dados econômicos na China. Embora não preditivo, o PMI chinês, índice amplamente acompanhado por agentes e que resume a expectativa de profissionais do departamento de suprimentos (compras) das condições de mercado, também possui uma sazonalidade interessante.

Desde 2005, o PMI subiu bastante em março e teve uma forte contração em maio. A sazonalidade forte em março tem a ver com as comemorações do Ano Novo Chinês no final de janeiro/fevereiro. Porém, o efeito negativo de maio é um pouco mais difícil de explicar. Um tema que era muito recorrente na China era o hard-landing (pouso forçado) ou soft-landing (pouso suave) da economia. Na maior parte dos últimos 15 anos, a economia chinesa normalmente começava o ano sobreaquecida e o governo tomava medidas restritivas para esfriá-la.

... and go away!

Estamos em uma situação de mercado mais desafiadora que nos últimos meses. Os principais eventos que esperávamos acontecer no curto prazo (pausa na alta de juros do Fed, início da tramitação da previdência na Câmara e revisão negativa de crescimento) já se materializaram. Acreditamos que o próximo grande movimento das bolsas acontecerá pela confirmação ou não do crescimento global coordenado.


Expliquemos. Desde o início do ano, observamos uma diferença muito grande de crescimento dos EUA contra o resto do mundo. Os impactos negativos da disputa comercial, inclusive agora envolvendo a Europa, fizeram com que o maior crescimento americano não se propagasse para o resto do mundo. A Europa, em particular, continua apresentando taxas de crescimento muito baixas, beirando a recessão. Isto faz com que o dólar norte-americano fique muito forte contra as outras moedas, apesar do fim da alta de juros.

Se esse cenário continuar, o desempenho dos países emergentes, inclusive do Brasil, deverá continuar fraco. O dólar, por aqui, continuará alto, com risco de subir mais. É um cenário que nos forçará a manter cautela em nossa carteira.

This time is different

No início de nossas carreiras, ouvimos de um dos maiores gestores do Brasil que as quatro palavras acima eram as mais perigosas do mercado. Afinal, por que desta vez será diferente?

Vemos sinais divergentes por todos os lados. Diferentemente de anos anteriores, as políticas de estímulo na China começaram em meados de 2018 e a economia já está reagindo. As revisões de crescimento de PIB no Brasil já estão acontecendo e vemos analistas reduzindo suas recomendações de compra de ações. A Europa continua fraca, mas ela tende a reagir com atraso com relação à China.

Se esses “green shoots” (primeiros sinais de recuperação econômica) se propagarem pelo restante do mundo, podemos ter um cenário de crescimento global coordenado. Este cenário é positivo para os ativos de risco. Poderíamos então ver as bolsas e as moedas dos países emergentes performando bem. Por aqui, o Ibovespa subiria e os juros e o dólar cairiam.

E o futuro?

Como já falamos, depois de um início de ano forte, nós reduzimos o risco de nossa carteira.

Is this time different? Vamos observar os dados macro das principais economias mundiais para calibrar nosso posicionamento. Suspeitamos que poderemos ter um alívio em maio, com um desempenho melhor das cíclicas globais e uma depreciação do dólar no mundo. Isso favorece também o posicionamento em outros países, em especial na Colômbia.

Continuamos com uma visão otimista para o médio e longo prazo. Parafraseando um de nossos gurus, Luiz Alves Paes de Barros, “o maior risco da bolsa é estar fora dela”.

Obrigado pela confiança,

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